História da Jordan

Foi um fabricante de pentes dinamarquês que começou tudo. William Jordan nasceu em Copenhaga, em 22 de Janeiro de 1809, sendo o mais velho de 12 irmãos. Imediatamente após ter terminado os estudos, Wilhelm foi enviado para Kiel, na Alemanha, para procurar trabalho, tendo-se depois mudado para Hamburgo, onde começou a aprender o ofício de fabricante de pentes. Sob a orientação de experientes artesãos alemães, Wilhelm Jordan adquiriu as competências que lhe proporcionaram as bases para o trabalho de toda a vida, criando um legado que ainda continua vivo e a prosperar.

Depois de tentar a sua sorte durante vários anos a trabalhar como artífice ambulante na Europa Central, Wilhelm Jordan regressou a Copenhaga e fundou a sua própria loja de pentes. No entanto, a loja não gerava dinheiro suficiente para lhe permitir viver e, consequentemente, em 1837, fechou a loja e, juntando-se a dois colegas artífices, foram para Christiania – o nome pelo qual a capital da Noruega, Oslo, era conhecida na época – com o intuito de fazer fortuna. Em 5 de agosto de 1837, os três artífices fundaram uma modesta empresa de fabrico de pentes, localizada no centro da cidade, a qual evoluiu até se tornar num das principais fábricas de escovas da Europa que é hoje em dia.

Ao mesmo tempo, Wilhelm Jordan solicitou a cidadania norueguesa, que lhe foi concedida em 19 de janeiro de 1938. Depois de ter prestado juramento, Wilhelm Jordan recebeu a cidadania e o estatuto de mestre fabricante de pentes em Christiania. As últimas formalidades incluíram ter oito dias para apresentar uma carta civil na esquadra da polícia e o pagamento de uma comissão ao magistrado.

Vários anos depois, Wilhelm estava bem estabelecido e prosperava graças à forte economia local. Estava tão otimista que decidiu fazer o seu primeiro investimento de monta, tendo comprado uma propriedade no n.º 44 da rua Skippergaten. Esta localização geográfica estratégica na capital proporcionava o ambiente ideal para continuar a desenvolver a sua empresa.

Em 1845, Wilhelm Jordan começou a interessar-se pelo fabrico de escovas, considerando que era uma boa oportunidade de negócio uma vez que, nessa época, a cidade de Christiania não contava com um fabricante de escovas. Apesar de Wilhelm Jordan não ter qualquer experiência anterior neste ofício, dirigiu-se uma vez mais para Hamburgo e, no ambiente empreendedor da cidade, ao nível do fabrico de escovas, fez vários amigos que, juntamente com as famílias, o acompanharam de regresso a Christiania. Com esta nova aposta no fabrico de escovas, a empresa de Wilhelm Jordan continuou a crescer e a prosperar.

Christiania em chamas

Em 1858, Christiania foi atingida por um incêndio de grades proporções que, em 14 de Abril, destruiu um grande número de casas e os respetivos recheios em muitas das melhores zonas da cidade. Em resultado desse incêndio, foi necessário reconstruir e remodelar grandes partes da cidade, criando uma procura significativa de madeiras exóticas estrangeiras entre os fabricantes de armários locais. Uma vez mais, não existia na cidade nenhuma empresa com capacidade para colmatar esta procura súbita e, consequentemente, Wilhelm Jordan regressou a Hamburgo, onde comprou três lotes de madeira de elevada qualidade, sobretudo mogno, que era muito procurado. Foi o início de mais uma nova empresa importante, desta vez no âmbito do comércio de madeira estrangeira e do fabrico de folheados de madeira fina.

A morte de Wilhelm Jordan

Wilhelm Jordan faleceu no dia 19 de março de 1879, com 70 anos de idade, deixando para trás tanto um império comercial florescente quanto sucessores com capacidade de preservar e desenvolver os negócios que tinha criado. Quando faleceu, era um homem rico e um cidadão respeitado da cidade de Christiania. Seria o seu filho mais velho, Fredrik William Jordan, nascido em 4 de setembro de 1841, que viria a desenvolver ainda mais a empresa de fabrico de pentes e escovas. Apesar de, nessa época, o advento da máquina a vapor ter levado ao surgimento de serras e tornos elétricos, como meio de tornar a produção industrial mais eficaz, o fabrico de escovas ainda dependia de artífices experientes que trabalhavam manualmente para fabricar toda a gama de produtos – das mais finas escovas de luxo até simples vassouras e escovas de esfregar.

As cerdas de piaçaba e Carl Jeppesen

Na década de 1870 as ruas das cidades de toda a Europa ainda eram varridas com vassouras de vidoeiro. No entanto, foi por volta desta altura que os Estados Unidos da América se tornaram no primeiro país a introduzir vassouras fabricadas com cerdas de piaçaba, que continuam a ser utilizadas hoje em dia, e a inovação não tardou a chegar à Europa e à Noruega. Fredrik W. Jordan foi o primeiro a reconhecer esta oportunidade de negócio e, graças aos conhecimentos que tinha na Dinamarca, entrou em contacto com um especialista, Carl Jeppesen, que se mudou para Christiania com a família e deu início à produção de piaçaba. Além dos seus interesses de negócios, o talentoso dinamarquês também tinha fortes interesses sociais, tendo desempenhado um papel essencial na criação do Partido Trabalhista Norueguês, tendo sido Presidente do mesmo entre 1894 e 1897. Carl Jeppesen foi também um político importante a nível local, tendo trabalhado na Câmara Municipal entre 1898 e 1925. De 1917 a 1919 foi também o primeiro Presidente da Câmara da capital, pelo Partido Trabalhista. Era um homem com uma personalidade exuberante e versátil, que deixou uma marca indelével tanto na história da cidade de Christiania como na história da Noruega. Faleceu em janeiro de 1930 e no bairro de Sandaker, em Oslo, existe uma rua com o seu nome.